A Igreja da Inglaterra empossou Sarah Mullally como arcebispa de Canterbury, tornando-a a primeira mulher a assumir a liderança da instituição e da Comunhão Anglicana global. A cerimônia foi realizada na quarta-feira, na Catedral de Canterbury.
O início oficial do ministério público ocorreu durante o culto, após a investidura legal no cargo realizada em janeiro. Aos 64 anos, Mullally destacou sua trajetória de fé ao longo dos anos.
“Jamais teria imaginado o futuro que me aguardava, e certamente não o ministério para o qual agora sou chamada”, declarou durante o sermão, ao recordar sua juventude e o início de sua caminhada com Deus.
Ela também mencionou a ausência de membros da comunhão anglicana que não puderam participar da cerimônia por causa de conflitos internacionais. “Oramos por eles sem cessar, e por todos aqueles que estão em áreas devastadas pela guerra no mundo, na Ucrânia, no Sudão e em Myanmar, para que sintam a presença de Deus, assim como oramos para que a paz prevaleça”, afirmou.
Mullally destacou a importância da esperança e da confiança em Deus diante das dificuldades. “Somos chamados a confiar que nada é impossível para Deus, mesmo quando vemos tantas coisas no mundo que fazem a esperança parecer impossível”, disse, de acordo com o The Christian Post.
Ela acrescentou: “Não suportamos o peso dessa vocação com nossas próprias forças, mas somente com a graça e o poder de Deus”.
Antes de ingressar no ministério pastoral, Mullally atuou como enfermeira, trabalhando com pacientes oncológicos. Ela foi ordenada sacerdotisa em 2001 e passou a servir como bispa de Londres em 2018. Sua eleição como arcebispa ocorreu em outubro, sucedendo Justin Welby, que deixou o cargo anteriormente.
A escolha de Mullally gerou reações divergentes dentro da Comunhão Anglicana, especialmente entre grupos conservadores. Críticas foram direcionadas tanto às suas posições teológicas quanto à presença de uma mulher no cargo.
A GAFCON se manifestou contra a decisão. O reverendo Laurent Mbanda, presidente do conselho de primazes da organização, afirmou que a escolha pode aprofundar divisões internas.
“A Igreja da Inglaterra escolheu um líder que irá dividir ainda mais uma Comunhão já fragmentada”, declarou.
Mbanda também questionou o papel histórico do cargo. “Devido à falha dos sucessivos Arcebispos de Canterbury em zelar pela fé, o cargo não pode mais funcionar como um líder credível dos anglicanos, muito menos como um foco de unidade”, afirmou.

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