segunda-feira, 20 de abril de 2026

Operação ‘falso profeta’ prende pastor que abusava de fiéis

 



Uma operação policial realizada em Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís, resultou na prisão do pastor David Gonçalves Silva, líder da igreja Shekinah House Church. A detenção ocorreu após cerca de dois anos de investigação e envolve suspeitas dos crimes de estelionato, estupro de vulnerável, posse sexual mediante fraude e associação criminosa.

A ação, denominada “Falso Profeta”, foi conduzida pela Polícia Civil do Maranhão, com apoio da Polícia Militar do Maranhão. A prisão ocorreu no bairro Recanto do Poeta, em um imóvel ligado à igreja, onde, segundo as autoridades, residiam entre 100 e 150 fiéis. O investigado foi localizado em um quarto, acompanhado de outro dirigente. Até o momento, o inquérito aponta entre cinco e seis possíveis vítimas.

O delegado Sidney Oliveira, titular da Delegacia de Paço do Lumiar, informou que o pastor é investigado por suspeitas de abusos sexuais e psicológicos contra frequentadores da instituição, incluindo homens, mulheres e menores de idade. Ele declarou que as apurações identificaram indícios de práticas de punição física dentro da comunidade. Vídeos apreendidos mostram pessoas sendo agredidas, segundo a polícia.

Materiais recolhidos no local indicam, de acordo com os investigadores, um controle rígido sobre os fiéis. Entre os itens apreendidos, havia folhas com frases manuscritas, como “Eu preciso aprender a respeitar o meu líder”, repetidas diversas vezes. Celulares e cartões de crédito dos frequentadores também foram recolhidos, o que, segundo a polícia, pode estar relacionado a práticas de controle financeiro e estelionato.

Relatos de ex-integrantes foram incluídos nas apurações. Um homem afirmou, em depoimento divulgado nas redes sociais, que frequentou a igreja em 2013 e relatou ter sofrido agressões físicas e choques elétricos. Ele declarou que o líder religioso afirmava que os fiéis possuíam demônios que precisariam ser expulsos. Segundo o relato, após deixar o local, ele e familiares teriam sido alvo de ameaças.

“Eu cheguei com 13 anos de idade. Estava na rua, em situação de vulnerabilidade, e pensando que estava me refugiando para ter uma ajuda, mas infelizmente vivi uma prisão por vários anos. Até hoje sou traumatizado por conta de tudo que vivi, por conta de abuso sexual e psicológico”, declarou uma das vítimas, segundo informações do G1.

Segundo Sidney Oliveira, a investigação teve início após denúncias feitas por ex-fiéis e se estendeu por aproximadamente dois anos. Ele informou que, a partir do depoimento de uma vítima, outras pessoas foram identificadas e ouvidas, inclusive nos estados do Pará e do Ceará. A Justiça determinou a prisão preventiva do investigado.

A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária informou que o pastor será encaminhado a uma unidade prisional, onde permanecerá à disposição da Justiça. Em nota, a Polícia Civil do Maranhão declarou que o caso segue em fase de coleta de depoimentos de vítimas e testemunhas e que novas informações serão divulgadas oportunamente para não comprometer o andamento das investigações.

A defesa informou que não irá se manifestar neste momento, alegando que ainda não teve acesso aos autos do processo.



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